Sunday, November 08, 2009

Nanashi, Amar Salgado

"As letras maioritariamente em português e uma natural despretensão de encaixar as músicas em modelos ou estilos de música predefinidos, dão a este grupo uma sonoridade muito própria, mas, ao mesmo tempo, simples, harmoniosa e sedutora. O nome é uma palavra japonesa, que significa sem nome. O nome sugere portanto algo indefinível, mas ao mesmo tempo, pela sua fonética, alguma coisa pueril, pacífica e doce."
Video Clip/Curta Metragem, realizado por João Paulo Simões


Friday, October 30, 2009


Um brilho diferente ofuscou-me a visão e fez-me perder a lucidez.

Entre uma espécie de encanto e uma manifesta fantasia, apareceste tu… só podia.

A elegância, vincada na silhueta do teu corpo, fez-me patinar também. Porém eu faço-o de forma desajeitada e sem o talento com que tu me prendaste quando na minha vida apareceste rodopiando numa dança onde a sedução era tão envolvente quanto a amizade pura que, apaixonadamente, desenvolvi por ti.

Gostaria que me fosse possível dizer que também eu perdi os sentidos quando nessa tua dança, onde a natural descontracção e simplicidade fizeram de mim um espectador atento, aprendi que é possível viver a cores numa qualquer velha película esquecida algures, sem nada estragar e, simultaneamente, disfrutar do mais belo que ela tem.

Decidi que devia ir à Cinemateca procurar nos registos esta história, sobre uma bela e jovem bailarina patinadora, mas os mais de vinte anos podem dificultar a localizar o que poucos devem ter memória e por isso, restam-me os sonhos, onde te poderei encontrar e, contigo, passear por um presente que não existindo, me faz sorrir feliz.

Friday, June 26, 2009

Três pontapés e lá rebolas mais uns metros comigo


Passeio contigo, pontapeando-te, enquanto vou de olhos postos no chão pensando onde te encontrei e há quanto tempo me acompanhas.

Ainda que aos trambolhões, fria e decidida, lá vais um passo à frente não sabendo também porque razão decidi eu levar-te comigo.

Recorda-te que ia sozinho, a pé, quando ali estavas tu a convidar-me para um pontapé aborrecido.
Tão só por teres ali ficado a pedir-me mais um acabei por te ir fazendo a vontade, passo a passo, numas vezes pontapeando-te, outras simplesmente empurrando-te com um chuto do outro pé que, só por estar distraído, aproveitou a ocasião metendo-se contigo.

Lá se vão rindo os meus dois pés, divertidos, entretidos, enquanto tu vais aos tombos, não sabendo eu muito bem se acabo por nutrir por ti alguma simpatia ou se, por não me apetecer ir sozinho, aceito e tolero a tua companhia.

Levanto o olhar e ao fundo vejo uma esquina. Distraio-me com um sinal vermelho e, num chuto mais forte, perco-te debaixo de um autocarro que ali vai a passar e que acaba por parar mesmo à minha frente.
Assisto à saida de uns outros pares de pés, que descem do autocarro uns atrás dos outros, e lá no meio saiem umas Havaianas brilhantes, entre sapatos e andares elegantes, que me fazem perder no que estava a pensar. Mas não tive paciência para esperar. Olhei para o lado e, ao ver um café, lembrei-me que não tinha mais cigarros... Já que estou aqui ao pé...
Lá fui eu, com as mãos nos bolsos à procura de uns trocos, os que me faltavam para também pedir uma imperial e a pensar que, afinal, já nem me lembrava como eras, onde te encontrei e o que me motivou verdadeiramente a trazer-te comigo.

Os teus "eus"...

É dentro de uma caixa de sapatos que guarda um baralho de cartas dos arquivos de identificação de Lisboa, agora mais conhecidos por cartões únicos.
Se não fosse tão astuto e perspicaz, poderíamos até dizer que quando acorda e se prepara para mais um dia de trabalho tira à sorte uma qualquer cartão mas, na verdade, nunca o escolhe ao acaso.

Como um velho batido nos jogos do jardim, daqueles que antes de começar a jogar já sabe qual é o trunfo, com quem joga e de que forma os vai limpar a todos; também este homem sabe criteriosamente que nome escolhe para o dia que começa quando no seu telefone faltam alguns minutos para tocar o alarme... Um relógio biológico adiantado dois minutos certeiros.

Ao acordar, põe a rodar num velho leitor de cassetes aquela música que o faz conquistar o mundo enquanto se barbeia e, depois de duas palmadas de after-shave, tira do seu guarda-fatos um sobretudo, o seu "escudo" que já alguns euros traz no bolso.

Como profissional que é não tem automóvel mas também não anda a pé, a não ser quando caminha para o taxi que tem sempre à sua porta, todas as manhãs, e que é conduzido pelo mesmo motorista há vários anos.
Quase como num ritual, o chauffeur abre-lhe a porta do carro, espera que ele se sente e informe o destino.
Depois de iniciar a corrida ouve o seu telefonema e, só nessa altura, fica-se a saber como se chama ele naquele dia.

Sunday, February 22, 2009

No rescaldo do Casino...

Chegou ao fim mais uma semana de concertos... 9 dias de concertos no Casino do Estoril, uma casa especial e uma referência importante para Chauffeur Navarrus.
Nos próximos dias poderei partilhar tudo o que se passou nesta estadia pela capital, dos novos amigos que acabámos por fazer, ao feed-back dos concertos... Das experiências muito especiais que vivemos nos bastidores, às novidades que temos para os próximos tempos.
Por agora, quero apenas aproveitar para vos apresentar o Andrey Romanovski, de Moscovo, um artista muito especial que me proporcionou uma alegria muito grande quando se disponibilizou para dar os parabéns à minha filha mais velha que, por estar a mais de 200 Km de distância, só pode contar comigo numa video-call. O Andrey, a minha banda e mais alguns amigos, todos juntos, lá cantámos os parabéns e aproveitámos para dar um olá aos rapazes também.
Mais lá para a frente, nos próximos posts, falar-vos-ei também da equipa do VISIONS, do Picaso Jr, um artista espalhol extraordinário, da Sylvie C. e da sua equipa fantástica, dos Booggie Nights (um projecto feito por bons músicos portugueses), da equipa da UAU que está no Estoril (da Ana, da Madalena e da Rita) muito profissional que nos proporcionou todas as condições que nos permitiram assegurar bons concertos.
Falarei depois também dos Produtores, que fui ver ao Tivoli, onde gostei particularmente de rever alguns amigos. Goste-se ou não, é inequivocamente uma produção impressionante... e sem Rita Pereira ;) Parece que foi fazer um carnaval algures...
Bom!!! Mas voltando ao Andrey...
Ele esteve a fazer o seu espectáculo antes e depois dos nossos concertos e o seu número é precisamente igual ao que encontrei aqui no youtube. No mínimo impressionante...
Espero que gostem!
Um pequeno apontamento... Obrigado por tudo Andrey!
Outro apontamento... Parabéns filhota!


Tuesday, February 10, 2009

Em tempos conheci uma miúda...


Em tempos, numa altura fazia noites na companhia de táxi "Metropolitana", acabei por interromper as longas esperas à porta do casino e entrei para tomar um café.
O casino tinha um espaço, a que lhe chamavam Arena, que era um bar rotativo onde acabei por ouvir alguns acordes e assim conhecer vários projectos. Umas bandas mais conhecidas que outras... das já consagradas às que davam as primeiras passadas no panorama musical português e até a muitos outros projectos dos quais nunca mais ouvi falar...

Por lá trabalhavam um conjunto de jovens bonitas, todas com um metro e sessenta de altura, trajadas a rigor, cada uma com um estilo muito próprio.
Era possível "catalogar" aquelas jovens profissionais como... " a mais ternurenta", "a mais séria", "a mais brincalhona", " a mais quente", por aí fora mas na verdade reconheço que profissionais eram todas elas e confesso que o facto dos anos irem passando e de eu as continuar a ver por ali me agradava bastante.
Comecei a conhecer melhor e até a ficar amigo de algumas delas apesar do rigor, das regras do casino, que não nos convidava para grandes conversas, grandes confianças, o que a meu ver até era pertinente.
Entre a estranha cumplicidade e o propositado distanciamento inerente a uma relação que se pretende estritamente profissional porém sedutora, sempre que arrancava para lá novamente levava comigo algumas memórias e a esperança de as voltar a ver na próxima vez que ficasse com os turnos da noite para aqueles lados de Lisboa.
Uma das empregadas chamava à atenção... Poderia "rotular" de "jovem extraordinariamente eléctrica"... ou "especialmente energética", na verdade tinha carisma, essa graça divina que qualquer dicionário de português "confirma".
Numa dessas noites, que lá parei para um café, entre várias conversas que se perderam entre "dois cubos de gelo" ou "essa conta, por favor"... ela ofereceu-me um guardanapo de papel onde fez um ponto com uma esferográfica... "um dia isto ainda vai valer uma fortuna" - disse-me...
Uma fortuna não digo... mas valeu este apontamento que faço agora... alguns anos depois...

Um ponto...? Tu é que és um ponto.

Thursday, December 04, 2008

Contigo


Quando estive com Chauffeur Navarrus no Casino Lisboa de 4 a 10 de Novembro, antes do nosso concerto, no Arena Lounge, surgia o João Paulo Santos no Mastro Chinês.

Uma breve apresentação deslubrante que cativou sempre o público... e a banda que, nas 7 noites, fez os preparativos a tempo de estar no palco minutos antes para ver uma pequena amostra do que me foi possível conhecer hoje, bem melhor, no Finta'08.

"Contigo" Uma coreografia de Rui Horta para João Paulo Santos no mastro chinês

Figurinos e Direcção de cena Pedro Pereira dos Santos

Música Victor Joaquim e Tiago Cerqueira

"O que é que se obtém quando se mistura um excepcional intérprete com um brilhante coreógrafo? E se juntam movimentos inesperados com inebriantes artes circenses? Talvez seja preciso ver para perceber. Dois artistas portugueses, João Paulo Santos (acrobata de mastro chinês) e Rui Horta (coreógrafo), confrontam os seus universos singulares e, a partir das suas diferentes formas de expressão e ligação às coisas, criam um espectáculo único.Com força, equilíbrio e técnica, o primeiro executa uma coreografia criada pelo segundo. Um espaço vazio ocupado por um mastro – método ancestral introduzido na Europa há apenas dez anos. Um totem que marca fatalmente esse espaço e lança um desafio vertical. Um corpo que responde a esse mesmo desafio, à vertigem, ao risco e à possibilidade de queda. Raiva e virtuosismo entre o céu e a terra, que acaba por expor a própria exaustão e solidão do artista."http://www.acert.pt/programacao/registo.php?id=257

Tuesday, November 25, 2008

Miguel Mocho

"Miguel Mocho nasceu em Lisboa. Desde cedo dedicou-se à música, com a consequente acumulação de dívidas e mal-estar físico. Compôs bandas sonoras duvidosas para filmes que ninguém viu e participou, como actor, em produções que ninguém conhece. Mais tarde fez estudos em cinema, o que lhe serve para tecer comentários mais arrojados, quando vai ao Nimas. Estudou desenho e pintura, tendo abrandado a sua actividade nesta área ao constatar que até os deficientes pintam melhor os postais de Natal com os pés do que ele com as suas mãos enormes. Licenciou-se em arquitectura, como plano para arranjar uma carreira de sucesso, mas acaba por passar os dias em bares duvidosos... Viajou e residiu em vários pontos do mundo, e morrerá um dia, em parte incerta, de forma despercebida e, certamente, na miséria."

Partilho convosco a auto-biografia do Miguel que descobri hoje aqui .
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Se bem te conheço, Miguel, vais ficar danado comigo... Ainda assim deixo aqui o post.
Conheci-te há...quê? 15 anos atrás, talvez... Com os Jack & Os Estripadores, a banda que nunca mais esquecerei. Aliás... nem eu, nem ninguém que tenha tido o privilégio de assistir a um concerto dessa lendária banda "Rockabilly."
"Em 1992 Portugal acolheu a primeira Rockabilly party, onde actuaram, entre outros, os Cabeças de Gado, os Tequilla Mal, Jack & Os Estripadores e os Tenesse Boys. Outra capital manifestação rockabilly deu-se em 1996, altura em que a Metralha, editora de Almada, lançou a compilação Portugal Rockers, com informação sobre as bandas do momento(...)"
Não vou escrever aqui o que tive oportunidade de aprender com o Miguel. Guardarei comigo o que ele me ensinou, mesmo sem querer, bem como as memórias de alguns concertos onde partilhámos o palco... Santiago do Cacém em 1995; no mítico Johnny Guitar em Lisboa; também em Mafra e anos mais tarde em Cascais, Coimbra, Tondela, Viseu... na Semana Académica com os Xutos & Pontapés... Enfim! E ainda te devo vinte euros do tempo dos contos.
Miguel Mocho, grande sacana! És um músico brilhante!!!
Obrigado por tudo!