Sunday, September 30, 2007

Linha do Dão


Quando era miúdo queria ser uma bola de matraquilhos...O percurso que a bola fazia da baliza até cair novamente, depois de se pôr nova moeda, fascinava-me. Senti o mesmo quando descobri, sem querer, uma antiga linha de comboio conhecida por Linha do Dão. Esta linha, inaugurada a 25 de Novembro de 1890, fazia a ligação de Santa Comba Dão a Viseu. Ainda percorri sites a tentar descobrir a data de encerramento da linha mas, mesmo depois de consultar o site da CP, nada consegui saber. Conversei apenas com alguns populares que me deram uma ideia de quando deixou de ali passar o comboio...

Quando vinha de Viseu, sábado de manhã depois de lá ter ido em passeio, fiquei com a ideia de ter visto uma antiga estação próxima do IP3. Na saída seguinte, não resisti, e fui à procura dela, tendo ficado estupefacto quando se confirmou a minha suspeita. Era mesmo uma estação - Parada de Gonta. Ali estavam as antigas casas de banho, as bilheteiras, as oficinas, o trilho por onde passavam os carris e, ao fim da estação, um resto deles que se perdem por baixo de um alcatrão que se sobrepôs à história destes caminhos de ferro, só visíveis para os mais atentos que lá passem. (Agora já não, já que foi toda restaurada e é conhecida como a EcoPista do Dão, excelente passeio, fica a sugestão)
Não vi qualquer proibição, e mesmo que visse, não deixaria de fazer o que fiz. Acabei por pôr o carro no trilho e segui o caminho abandonado, já sem carris, por entre os pinhais, densa vegetação, e assim fui descobrindo velhas estações e apeadeiros fantasma. Triste por não ter levado a máquina fotográfica para documentar esta verdadeira aventura, repeti o trajecto no domingo, e aí sim tirei algumas fotografias.
O Km 4,476 foi a maior surpresa - A ponte - a ligação entre Treixedo e Santa Comba Dão, foi algo que não esperava encontrar numa parte do trajecto em que mal conseguia ver o que me esperava no metro seguinte. Não contava encontrar a ponte, apenas parte dela, ou o espaço onde esta deveria estar... Não pude deixar de a sentir com as minhas próprias mãos. Aproveitei para pisar esta estrutura metálica que ali está há mais de 100 anos.

O que ficou por dizer: A linha do Dão fechou em 25 de Setembro de 1988, com a habitual desculpa de falta de rentabilidade. A automotora, por esta linha ser de via estreita, não atingia grandes velocidades e as carruagens não eram nada confortáveis e eram poucas, de tal forma que muitos dos serviços eram já suportados por autocarros. Ao que parece foram também estas as razões que levaram ao encerramento da Linha do Vouga. A CP, durante vários anos, ainda teve o cuidado de manter a linha em condições, salvaguardando inclusivamente as respectivas inspecções.

Tuesday, September 11, 2007

Julieta Maria Emidio




Na imagem estão a ver os meus avós, a Julieta Maria Emídio e o António Augusto Leal Roman Navarro.



Na altura em que tiraram esta fotografia, das poucas que tenho com eles juntos já que se divorciaram poucos anos depois, andavam no circo. Quando estou num grupo de amigos consegui fazer um ou outro truque mas nada do outro mundo já que nunca lhe "ganhei a mão", como dizia o Titó.

A (Julieta) para além de uma cozinheira fabulosa, era também uma coleccionadora de histórias, memórias que foi guardando do período em que foi empregada doméstica numa casa francesa, onde ganhou algumas expressões, como "chauffeur" por exemplo. É curioso...


 

Tuesday, August 14, 2007

Meca

12-08-2007



Sorriste mais cedo, rapidamente deste a tua primeira gargalhada e fizeste do palrar a língua oficial lá de casa. Mais baixa que a tua irmã, mais para o "portuguesinha" e menos nórdica.

Wednesday, August 01, 2007

España

jnavarro Madrid 05

Arranquei de Portugal para espreitar o país vizinho, que visito desde miúdo, para tentar ver de forma diferente este país que tanto se critíca por cá.

Passei Vilar Formoso pelas 11h da manhã e fui almoçar a Salamanca. "Despues" rumo a Madrid, onde acabei por dormir no Hotel Anaco na Gran Via, onde os hoteis são mais acessíveis e onde as mulheres as esquinas fazem "cambios" a alguns, que gostam mesmo de meninas para fugir ao jejum.

Passei Castilha & Leon seguido das Astúrias e, oitocentos e tal quilómetros depois, já na província da "Galicia", fala-se português e está tudo bem.

Meia-dúzia de províncias e passamos do deserto às vistas da Suíça que conhecemos, mais não seja através daquele filme do cinema.

A siesta... não se ouvem as sirenes tocar mas o que é certo é que eles escondem-se todos de uma vez, da mesma forma sinistra como voltam a aparecer. Para um português que se distrai enquanto toma um maldito café, fraquinho como lá é habitual, e que se nada se disser em contrário vem com leite a acompanhar, de repente olha para a rua e questionar-se-á exclamando...- "Qu'é deles!?" É realmente um fenómeno.

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O fascínio por conhecer outros povos é algo que chega a ser viciante, contagiante... desde o teu vizinho ao povo do outro lado do mundo, o que é preciso é conhecer, estar lá e ver.

Thursday, July 26, 2007

Nóki






Lá fui eu votar naquela manhã, entre duas contracções, isto antes de me fazer à estrada a caminho da Maternidade Daniel de Matos. Uma manhã sem sol, não muito fria, que nem parecia ser o dia, o tal que iria dar-me uma filha.

Tuesday, July 24, 2007

António Roman Navarro

Olimpia-Club

R. dos Condes em Lisboa - 1º andar

(Fotografia disponibilizada em Abril de 2012 para o livro "Roteiro do Jazz na Lisboa dos anos 20-50", da autoria de João Moreira dos Santos, editado pela Casa Sassetti. )

António Roman Navarro (1874-1951) pianista, o segundo a contar da esquerda.
Parece que aprendeu música em criança, no entanto acabou por fazer vida no mar tendo inclusivamente tirado o curso de "piloto". Fez carreira até começar a guerra em 1914. Assim que esta chegou ao fim optou definitivamente pela música e acabou por se increver na "Sociedade de Escriptores e Compositores Teatrais Portugueses", actualmente SPA - Sociedade Portuguesa de Autores, a 11 de Agosto de 1937, cujo documento de inscrição recuperei recentemente.

Pequena curiosidade:

Em 1937, só para se inscrever na SPA, para além do documento custar 2$50, a carta tinha ainda de levar dois selos 0$50 + 0$20.

Saturday, March 03, 2007

Rebel Blues Band

Santiago do Cacém 1995

Dei as primeiras notas na Rebel Blues Band (1994-97), num DX21. Na altura ao piano com 14 ou 15 anos, ao lado do Manuel Portugal, do meu irmão, António Pedro, do Miguel Lima (The Soaked Lamb) e do Luis... perdi o contacto.

Com a Rebel Blues Band acabo por me estrear no recinto onde actualmente se realiza a Feira do Artesanato no Estoril, isto em 1995, creio.

Com esta banda destaco a participação no Cascais Rock, as apresentações no “Johnny Guitar”, o concerto no Bafo de Baco em Loulé, a concentração de motas que terminou na discoteca Adrenalina em Santiago do Cacém com um concerto a "meias" com os Jack & os Estripadores... e talvez algumas quintas-feiras quando tocávamos semanalmente na Pérola de Santos - Lisboa, espaço que acabou por ser, durante algum tempo, a nossa sala de ensaios nas tardes de domingo.

Dos registos que gravámos no Bairro da Encarnação, na Esc. António Arroio... mais algumas gravações de concertos e umas entrevistas na Marginal que alguém ficou de gravar...

A Rebel Blues Band era uma banda de originais em inglês e a maior parte das músicas e das letras eram da autoria do Manel. As minhas letras, que comecei a escrever em 1995, eram em Português e não se enquadravam com o projecto. Foram ficando na gaveta...

Friday, March 02, 2007


Capitães (2000-2005).

Em Coimbra, com o Flávio Tavares e com o João Pedro, criámos a banda Capitães.

Comecei a cantar e fiquei como o vocalista da banda porque não havia mais ninguém que o fizesse e, ora sentado ao piano, ora na guitarra, fizeram-se os primeiros temas com as letras que fui coleccionando.

Vi editado o meu primeiro trabalho em 2003 - Contratempo. Por pouco, este trabalho não contou com a participação do Jorge Palma, que chegou a gravar connosco no estúdio do Flak (cortesia, de forma a evitar uma viagem do Jorge a Viseu) . Por causa de um mal-entendido entre o artista e as editoras, acabou por não ser possivel a edição desse take que ficará guardado para mais tarde recordar.


Fizemos várias apresentações ao vivo pelo país com um salto a São Miguel e, até finais de 2004, passámos, muito que timidamente, pelas principais estações como Antena 1, Antena 3, TSF, RTP2, NTV, Natal dos Hospitais da RTP N, com uma digressão que passou por várias salas de espectáculos, algumas vezes ao lado de projectos bem mais conhecidos como os Blind Zero, Tambor e Xutos & Pontapés.

Thursday, March 01, 2007

Chauffeur Navarrus

Fotografia de Manuel Portugal



Em 2005 terminei o projecto Capitães e iniciei um novo ciclo com Chauffeur Navarrus.


"(...)o palco do Chauffeur, cenário e adereços, encontra-se nas suas viagens, nos seus clientes."A ideia inicial era criar uma história à volta deste projecto... Assim nasceu Chauffeur Navarrus que "atento a tudo o que o rodeia e que interage com ele, assume paralelamente a função de motorista profissional e o prazer de coleccionador de histórias do alheio..." Histórias que acaba por as contar depois, sentado ao volante* do seu velho táxi(...)" http://www.cnavarrus.com/

Chauffeur Navarrus assenta inevitavelmente no pop-blues cantado em português, com influências de Jazz. www.myspace.com/cnavarrus

CN tem registos, diversas gravações realizadas em 2005 e em 2008. Design assegurado e video-clip do tema A12 Corte de Cabelo concluído em 2010.

Desde 2006 - CN - apresentou-se um pouco por todo o país, tendo realizado mais de 80 apresentações ao vivo, de onde se destacam alguns concertos como: Café-Concerto no Teatro Maria Matos em Lisboa; Casa da Cultura Malaposta; Feira de São Mateus em Viseu, Casino da Figueira da Foz, Casino do Estoril, Casino de Lisboa na primeira parte de David Fonseca, Latada de Coimbra na primeira parte de Irmãos Verdades, Festival Internacional de Teatro de Almada, Maus Hábitos no Porto, Centro de Artes de Ovar, Fiartil entre outros e diversas participações na SIC, RTP, Rádio Clube Português, Antena 1, Rádio No Cabo (Brasil), Rádio Macau (Macau).

Ao longo das suas viagens a personagem Chauffeur Navarrus ganhou vida com a colaboração e o talento de vários artistas para os quais fica o meu sincero agradecimento: António Neves da Silva, Sónia Castro, Carla Galvão, Sara Belo, Rita Cruz, Paleka, Vitor Costa, Luis Bento, Guilha Marinho, Paulinho Luz, João Coutinho, Jumbinho, Nelo Paiva, Guida Costa.

João Navarro Figueiredo