Monday, February 04, 2008

Verão 2005

Fotografia Valladolid - España 2005

Não sei se recordam daqueles dias em que o calor é tanto que mal conseguimos respirar?
Tinha chegado a Valladolid poucas horas antes, após uma noite mal dormida em Madrid e depois de atravessar duas províncias debaixo de 42-44º sem ar-condicionado.
Jantei e, enquanto tomava café numa bela esplanada, rascunhei o que a minha imaginação ia sugerindo num misto de realidade e fantasia...
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"Calor estúpido!
Não deixa de o ser, não!

Podia ser numa bela praça no meio da cidade que eu seguraria uma imperial magestosa, em cima da mesa da esplanada onde o turista paga a pronto o que eu pago ao fim do mês. Mas por acaso a praça de bela não tem nada que não seja a saída dali para fora. Volto atrás, gosto de a sentir, a cerveja a deslizar languidamente em mim. Pena a barriga que me mata.

Se eu pudesse, perdia-me aqui até ao fim do dia a beber cerveja, umas atrás das outras, apreciando e admirando as que à minha beira passam...

A caloraça começa a contornar os limites da estupidez, já vejo uma senhora a sentir-se mal, uma outra a lucrar com uns leques que se desfazem nas mãos de quem os compra, ao fim de os utilizar uma ou duas vezes, e eu mesmo já não falo por mim quando, numa qualquer birra de trânsito, disparo um automático: Vai para o c...... que "ta" f.....!" Exactamente! O que me envergonha...

Só me apetece ficar à sombra para controlar este calor que nos faz sentir loucos.

Perco a cabeça, desligo a máquina e vou direito à praia. Saio do meu diário móbil e mesmo com jeans, em tronco nú, enfio um valente mergulho no meio de uma onda violenta que me arrasta na sua crista de espuma... como a cerveja, vejam lá do que me fui lembrar...

Passei umas duas horas a brincar naquele mar que me fez viajar livremente pelos trilhos da minha infância, recordando aquelas férias no Algarve que fiz com os meus pais.

Como nos perdemos às vezes no tempo, em que a noite galopeando frenéticamente pelo horizonte a dentro, direito a nós, nos envolve com uma brisa quente típica daquelas noites de verão em que "damas da noite"* nos perfumam as ruas mas, só à noite e só no Verão.
Vou trabalhar agora, noite dentro, para compensar o que não fiz de dia."
Post de 2005 http://www.chauffeurnavarrus.blogspot.com - Calor estúpido