Friday, October 30, 2009


Um brilho diferente ofuscou-me a visão e fez-me perder a lucidez.

Entre uma espécie de encanto e uma manifesta fantasia, apareceste tu… só podia.

A elegância, vincada na silhueta do teu corpo, fez-me patinar também. Porém eu faço-o de forma desajeitada e sem o talento com que tu me prendaste quando na minha vida apareceste rodopiando numa dança onde a sedução era tão envolvente quanto a amizade pura que, apaixonadamente, desenvolvi por ti.

Gostaria que me fosse possível dizer que também eu perdi os sentidos quando nessa tua dança, onde a natural descontracção e simplicidade fizeram de mim um espectador atento, aprendi que é possível viver a cores numa qualquer velha película esquecida algures, sem nada estragar e, simultaneamente, disfrutar do mais belo que ela tem.

Decidi que devia ir à Cinemateca procurar nos registos esta história, sobre uma bela e jovem bailarina patinadora, mas os mais de vinte anos podem dificultar a localizar o que poucos devem ter memória e por isso, restam-me os sonhos, onde te poderei encontrar e, contigo, passear por um presente que não existindo, me faz sorrir feliz.

Friday, June 26, 2009

Os teus "eus"...

É dentro de uma caixa de sapatos que guarda um baralho de cartas dos arquivos de identificação de Lisboa, agora mais conhecidos por cartões únicos.
Se não fosse tão astuto e perspicaz, poderíamos até dizer que quando acorda e se prepara para mais um dia de trabalho tira à sorte uma qualquer cartão mas, na verdade, nunca o escolhe ao acaso.

Como um velho batido nos jogos do jardim, daqueles que antes de começar a jogar já sabe qual é o trunfo, com quem joga e de que forma os vai limpar a todos; também este homem sabe criteriosamente que nome escolhe para o dia que começa quando no seu telefone faltam alguns minutos para tocar o alarme... Um relógio biológico adiantado dois minutos certeiros.

Ao acordar, põe a rodar num velho leitor de cassetes aquela música que o faz conquistar o mundo enquanto se barbeia e, depois de duas palmadas de after-shave, tira do seu guarda-fatos um sobretudo, o seu "escudo" que já alguns euros traz no bolso.

Como profissional que é não tem automóvel mas também não anda a pé, a não ser quando caminha para o taxi que tem sempre à sua porta, todas as manhãs, e que é conduzido pelo mesmo motorista há vários anos.
Quase como num ritual, o chauffeur abre-lhe a porta do carro, espera que ele se sente e informe o destino.
Depois de iniciar a corrida ouve o seu telefonema e, só nessa altura, fica-se a saber como se chama ele naquele dia.

Sunday, February 22, 2009

No rescaldo do Casino...

Chegou ao fim mais uma semana de concertos... 9 dias de concertos no Casino do Estoril, uma casa especial e uma referência importante para Chauffeur Navarrus.



Conheci o Andrey Romanovski, de Moscovo, um artista muito especial que se disponibilizou para dar os parabéns à minha filha mais velha que, por estar a mais de 200 Km de distância, só pode contar comigo numa video-call. O Andrey, a minha banda e mais alguns amigos, todos juntos, lá cantámos os parabéns e aproveitámos para dar um olá aos rapazes também.




Voltando ao Andrey... O seu espectáculo, antes e depois dos nossos concertos, é precisamente igual ao que encontrei aqui no youtube. No mínimo impressionante...




Obrigado Andrey!


Parabéns filhota!





Tuesday, February 10, 2009

Em tempos conheci uma miúda...


Em tempos, numa altura fazia noites na companhia de táxi "Metropolitana", acabei por interromper as longas esperas à porta do casino e entrei para tomar um café.
O casino tinha um espaço, a que lhe chamavam Arena, que era um bar rotativo onde acabei por ouvir alguns acordes e assim conhecer vários projectos. Umas bandas mais conhecidas que outras... das já consagradas às que davam as primeiras passadas no panorama musical português e até a muitos outros projectos dos quais nunca mais ouvi falar...

Por lá trabalhavam um conjunto de jovens bonitas, todas com um metro e sessenta de altura, trajadas a rigor, cada uma com um estilo muito próprio.
Era possível "catalogar" aquelas jovens profissionais como... " a mais ternurenta", "a mais séria", "a mais brincalhona", " a mais quente", por aí fora mas na verdade reconheço que profissionais eram todas elas e confesso que o facto dos anos irem passando e de eu as continuar a ver por ali me agradava bastante.
Comecei a conhecer melhor e até a ficar amigo de algumas delas apesar do rigor, das regras do casino, que não nos convidava para grandes conversas, grandes confianças, o que a meu ver até era pertinente.
Entre a estranha cumplicidade e o propositado distanciamento inerente a uma relação que se pretende estritamente profissional porém sedutora, sempre que arrancava para lá novamente levava comigo algumas memórias e a esperança de as voltar a ver na próxima vez que ficasse com os turnos da noite para aqueles lados de Lisboa.
Uma das empregadas chamava à atenção... Poderia "rotular" de "jovem extraordinariamente eléctrica"... ou "especialmente energética", na verdade tinha carisma, essa graça divina que qualquer dicionário de português "confirma".
Numa dessas noites, que lá parei para um café, entre várias conversas que se perderam entre "dois cubos de gelo" ou "essa conta, por favor"... ela ofereceu-me um guardanapo de papel onde fez um ponto com uma esferográfica... "um dia isto ainda vai valer uma fortuna" - disse-me...
Uma fortuna não digo... mas valeu este apontamento que faço agora... alguns anos depois...

Um ponto...? Tu é que és um ponto.