Tuesday, February 10, 2009

Em tempos conheci uma miúda...


Em tempos, numa altura fazia noites na companhia de táxi "Metropolitana", acabei por interromper as longas esperas à porta do casino e entrei para tomar um café.
O casino tinha um espaço, a que lhe chamavam Arena, que era um bar rotativo onde acabei por ouvir alguns acordes e assim conhecer vários projectos. Umas bandas mais conhecidas que outras... das já consagradas às que davam as primeiras passadas no panorama musical português e até a muitos outros projectos dos quais nunca mais ouvi falar...

Por lá trabalhavam um conjunto de jovens bonitas, todas com um metro e sessenta de altura, trajadas a rigor, cada uma com um estilo muito próprio.
Era possível "catalogar" aquelas jovens profissionais como... " a mais ternurenta", "a mais séria", "a mais brincalhona", " a mais quente", por aí fora mas na verdade reconheço que profissionais eram todas elas e confesso que o facto dos anos irem passando e de eu as continuar a ver por ali me agradava bastante.
Comecei a conhecer melhor e até a ficar amigo de algumas delas apesar do rigor, das regras do casino, que não nos convidava para grandes conversas, grandes confianças, o que a meu ver até era pertinente.
Entre a estranha cumplicidade e o propositado distanciamento inerente a uma relação que se pretende estritamente profissional porém sedutora, sempre que arrancava para lá novamente levava comigo algumas memórias e a esperança de as voltar a ver na próxima vez que ficasse com os turnos da noite para aqueles lados de Lisboa.
Uma das empregadas chamava à atenção... Poderia "rotular" de "jovem extraordinariamente eléctrica"... ou "especialmente energética", na verdade tinha carisma, essa graça divina que qualquer dicionário de português "confirma".
Numa dessas noites, que lá parei para um café, entre várias conversas que se perderam entre "dois cubos de gelo" ou "essa conta, por favor"... ela ofereceu-me um guardanapo de papel onde fez um ponto com uma esferográfica... "um dia isto ainda vai valer uma fortuna" - disse-me...
Uma fortuna não digo... mas valeu este apontamento que faço agora... alguns anos depois...

Um ponto...? Tu é que és um ponto.