Friday, October 30, 2009


Um brilho diferente ofuscou-me a visão e fez-me perder a lucidez.

Entre uma espécie de encanto e uma manifesta fantasia, apareceste tu… só podia.

A elegância, vincada na silhueta do teu corpo, fez-me patinar também. Porém eu faço-o de forma desajeitada e sem o talento com que tu me prendaste quando na minha vida apareceste rodopiando numa dança onde a sedução era tão envolvente quanto a amizade pura que, apaixonadamente, desenvolvi por ti.

Gostaria que me fosse possível dizer que também eu perdi os sentidos quando nessa tua dança, onde a natural descontracção e simplicidade fizeram de mim um espectador atento, aprendi que é possível viver a cores numa qualquer velha película esquecida algures, sem nada estragar e, simultaneamente, disfrutar do mais belo que ela tem.

Decidi que devia ir à Cinemateca procurar nos registos esta história, sobre uma bela e jovem bailarina patinadora, mas os mais de vinte anos podem dificultar a localizar o que poucos devem ter memória e por isso, restam-me os sonhos, onde te poderei encontrar e, contigo, passear por um presente que não existindo, me faz sorrir feliz.