Sunday, December 04, 2011

Temos tempo!




Creio que foi o Sergio Godinho que iniciou um rabisco com "Cansados vão os corpos para casa(...)"; creio mesmo que fez desse rabisco uma canção, estrada fora, de uma disco qualquer que ele saberá melhor que eu qual é.

"Cansados vão os corpos para casa?" - Digo agora mais pausadamente para ter tempo para pensar enquanto interiorizo o que acabo de ler novamente... Deixa-me a pensar, de facto... Cansados!? Fisicamente talvez, mas ricos pelas horas que lá passaram a encantar os outros corpos que com eles se cruzaram... Aliás, não é a primeira vez que insisto nestes cruzamentos que nos enriquecem e marcam os momentos, momentos em que vivemos, isso é importante e por isso repito, momentos que vivemos. E é fantástico ter a possibilidade de saborear cada um deles sem pressas, sem preocupações, como se estivessemos a apreciar um lance em camara lenta, como se estivessemos a percepcionar as expressões desenhadas pelos rostos de atletas quando alcançam a vitória... "Não penses" - Dir-lhes-ia - "Não percas tempo!" - Insitiria - "Saboreia, o momento é teu e agora podes sempre optar por celebrar ou disfrutar pacatamente desse teu triunfo" - Na verdade é um prazer assistir.

Saturday, September 17, 2011

Friday, August 05, 2011




"(...)As mãos nos bolsos eram tão só a forma mais confortável que tinha para caminhar naquela noite.



Perplexo com a minha própria tranquilidade, para com o facto de andar por ali, a altas horas, naquela longa avenida iluminada pela gigantesca e numerosa publicidade nos edifícios que facilmente identificam Times Square lá mais ao fundo, decidi parar a meio para beber um copo.
Aqueles quarteirões da cidade têm sido considerados como os mais seguros do mundo, pelo menos desde daquele triste mês de Setembro, mas ainda assim surpreendia-me o meu à-vontade com que ali passeava.



Parei num bar porque vi alguém conhecido e porque a música convidava a entrar, apesar de bem diferente da que ouvira horas antes no Blue Note, era ritmada e preenchida com o tilintar das pedras de gelo nos copos de whisky que iam saindo de trás do balcão, entre decotes ousados, corpos suados. Ao lado bar de strip e à sua porta vista privilegiada para uma série de “silhuetas”, tacão alto, corpos aconchegados por vestidos curtos de fazer qualquer um perder a cabeça se arriscar percorrer os seus corpos com o olhar… Um cigarro? É melhor… Olhos novamente no bar inicial e, subitamente, surge uma jovem que me pede um isqueiro entre um pretexto para dois dedos de conversa.



Raio do “inglês”, que já não falo aos anos, só me lembrava a vacina do tétano de tão enferrujado que estava para iniciar uma conversa… Alguma coisa se conseguiu perceber, afinal ainda ficámos ali para mais uns quantos cigarros que se iam fumando entre luzes, olhares, conversas desprendidas de objectivos concretos. Interrompe-se a conversa com um até já, como se alguma vez mais a fosse ver, e apanho um táxi para, sem qualquer destino concreto, percorrer a cidade enquanto não me apetece ir para a 6ª avenida.



Recordo o voo do dia anterior, de helicóptero pelo Grand Canyon, a estadia no Encore – Las Vegas, a noite louca da XS e no Casino onde o 4 me garantiu umas horas bem passadas e algumas notas no bolso para o desconforto de alguns croupiers. Fui parar à Pacha na 46th Street, onde com um amigo fiquei ao balcão a beber um copo e a apreciar um conjunto de personagens que subitamente fizeram-me sentir dentro de um filme tipo “Velocidade Furiosa”, com o meu metro e oitenta e tal, não deixava de ser dos mais pequenos que lá andava, numa estranha e nada proporcional escala Tuga-Americano.



Entre cigarros que ia fumando na varanda exterior a ver carros empilhados numa estranha forma de estacionar, percebi que estava fora do contexto e com algumas saudades de Portugal. Trinta dólares mais pobre, acabei por ir para o hotel a pensar como me apetecia beber um bom tinto português apesar do chileno, que tinha bebido ao jantar, não ser nada mau. (...)"

Monday, May 09, 2011

O que vejo eu daqui?

Ao longe a Serra.



Hoje vejo-te bem... Os teus limites... Daqui, de onde escrevo, parece que vejo ao longe um gráfico, daqueles com muitas oscilações mas este, em particular, com tendência para o decréscimo como confirmei agora depois de me torcer e espreitar por detrás desta viga de granito que tenho à minha frente. Mais perto, nem de propósito, o sino da igreja... Pergunto-me agora se é por acaso ou se até há uma qualquer relação entre este sino, a igreja e a curva da serra lá longe desta terra que oferece a quem quiser, tiver tempo ou for capaz de apreciar esta vista para o Dão. Pareces adormecido rapaz... Deixa-me tratar-te assim! - Parece estar a repousar dessa sua missão de, com os olhos fixos na paisagem, espelhar o que de mais bonito ela tem.



Bom! Mais uma vez lanço-me às palavras e acabo por me perder... Desejava eu escrever sobre o que me inspiram todos estes telhados que vejo daqui, intrigam-me os segredos que por baixo estão guardados, imagino recados e outros pecados dos bons aos maus passados.



O que faço eu aqui? Espero... quase que me distraio e não refiro que estou numa tarde de Domingo, num dia em que obrigações e outras frustrações me roubaram por instantes, bem inquietantes, uma tarde diferente... Pelo menos até daqui a nada. Algumas malhas por cima de um disco preenchem-me um vazio musical "pentatónico" e dão-me, assim, especial conforto, sentimento de bom trabalho, útil, que contraria uma frustração que insitia em não desaparecer.





Conforto sim, pego antes aqui para, enquanto volto a pousar os olhos nas curvas da serra, relembrar alguns dias diferentes que veêm por aí. Não me refiro aos distantes, que passarei mais longe, mas sim aos que tenho obrigação de corresponder às expectativas de quem me quiser ouvir e acompanhar nesta viagem onde também eu sou um turista. Esta vista que eu vejo daqui tem sido, para a preparação desta viagem, fundamental... Inspira-me, preenche-me, dando um outro sentido para os meus dedos que me surpreendem tanto nestas teclas como nas brancas e pretas que tenho aqui ao meu lado.

Wednesday, April 13, 2011

MZ 150 ETS

E lá estava ela há 14 anos parada.

Sunday, March 20, 2011

Thursday, January 13, 2011